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A SEPARAÇÃO DOS FILHOTES
A separação dos filhotes é sempre uma situação traumática podendo trazer bastantes problemas, muitas das vezes acabando mesmo em morte.

Esta fase aumenta ao máximo o nível de stress das crias, o que numa primeira etapa provoca um aumento de coccidios e a respectiva coccidiose, debilitando a ave que se não for tratada a tempo acabará por morrer.

Mas isto pode ser evitado, tendo em conta que tudo deve ser prevenido e não remediado.

Conhecendo a origem dos problemas só temos que proporcionar as condições necessárias para evitar situações de difícil resolução.

Passo a enumerar os factores que mais contribuem para o aparecimento de problemas nesta fase:

- Os filhotes deixam de ter o apoio dos pais na alimentação.
- Passam a ter que lutar com outros companheiros de gaiola, que geralmente são em maior numero do que estes estavam habituados.
- A alimentação, local e recipientes por vezes são alterados.
- A atenção despendida às aves é superior quando estão junto dos pais.

Assim sendo, temos que diminuir as diferenças para que os filhotes não aumentem o seu nível de stress com a mudança.

Numa situação ideal, os filhotes deveriam ser separados dos pais e colocados durante 15 dias num local apenas com os irmãos de ninho, e se possível, separados dos mesmos por uma rede. Eu entendo que nem sempre isto é possível na totalidade, mas se conseguirmos parte disto, já é uma enorme evolução, pois este procedimento permite-nos diminuir o choque sentido pela cria.

Se não for possível de todo ficarem mais 15 dias sozinhos, pelo menos, o número de aves numa mesma gaiola deve ser o mínimo possível, se assim não for, a luta pela comida e bebida será grande e os mais fortes não deixarão os mais fracos comerem, ficando estes para trás dando origem ao aparecimento dos respectivos problemas.

Outro pormenor que tendemos a não dar muita importância, é a alimentação. Geralmente, os criadores após a separação alteram a alimentação, pois a que davam aos pais era mais rica e variada, mas como separaram os filhotes, entendem que o trabalho está terminado. ERRO ENORME. Deve-se manter pelo menos mais algum tempo a mesma alimentação, e quando se pretender alterá-la, terá de ser feito gradualmente.

Outra alteração que ocorre com frequência, é o número de vezes que se fornece comida às aves. A frequência da alimentação deve também ser mantida durante algum tempo.

Uma alteração que geralmente ninguém dá importância, é aos locais e recipientes em que eles estavam habituados a comer e a beber. Muitas vezes mudamos os filhotes para uma gaiola bem maior e com comedouros e locais muito diferentes, e admiramo-nos quando passado um dia vemos alguns bastante tristes com aparência de quem não come ou não bebe à muito tempo.

Deve-se habituar os filhotes aos novos comedouros e aos novos bebedouros, mantendo-se os recipientes que eles estavam habituados, pelo menos nos primeiros dias de separação.

Conseguimos diminuir desta forma, o impacto aos separados, diminundo de igual forma a possibilidade de surgirem doenças.

Muito importante também é a atenção despendida após a separação, pois como eu descrevi anteriormente, esta é a fase mais problemática dos filhotes. Quando se observa que uma ave está a ficar mais parada e com um aspecto diferente do habitual, devemos actuar rapidamente, começando por separá-la dos outros, e se possível colocá-la numa gaiola enfermaria, com uma temperatura cerca de 32ºC. Este procedimento resolve a maior parte das enfermidades se executado no inicio, daí a importância do acompanhamento constante das crias.

Temos a ganhar com esta separação, pois além da possibilidade de evitar a morte de uma ave, também evitamos que a doença se propague pelos demais.

Se mantivermos uma boa alimentação, agua fresca todos os dias e uma rigorosa higiene, garantimos que as baixas ao fim da época serão poucas.

Pois uma coisa que eu aprendi, é que criador que diz que não lhe morre uma ave, não é bom criador, é um grande mentiroso.

Haverá mais artigos... até ao próximo!

Firmino Casais
 
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