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É difícil criar cardinalitos
Uma pergunta que ouço muitas vezes.
Não.
Uma resposta que também dou muitas vezes.
Passo a explicar:
Eu penso desta maneira, pois nos 5 anos que
crio cardinalitos, tive sempre bons resultados.
Perguntam-me muitas vezes se há algum segredo
para tirar tantos cardinalitos.
Há e não há.
Se fornecer alimentação adequada à espécie,
se colocar água fresca todos os dias e se mantiver uma boa higiene, for segredo,
então há segredo.
Estes pressupostos mínimos garantem a boa saúde
das aves, logo, aves com boa saúde é meio caminho para uma boa criação.
Claro que isto não é tudo, mas sem isto não
vale a pena se quer pensarmos em ter bons resultados.
Vou contar-vos uma situação que espelha em parte
a falta dos pressupostos acima sitados:
Um criador de cardinalitos encomendou-me uma fêmea e
pediu-me para a levar para o campeonato nacional, quando a entreguei ele perguntou-me:
- Você está a dar dessa mistura? Eu dou a mistura dos
canários aos meus.
Aqui está um exemplo, de como não podemos pensar
em dar uma comida desenvolvida para uma espécie a outra totalmente diferente. Senão
vejamos, porque não damos comida de cão ao gato e vice-versa? Eles comem, claro,
não há outra.
Mas vamos ao que interessa.
Para termos sucesso na criação seja de que espécie
de ave for, temos que ter os pressupostos de comida, água e higiene como primordiais.
No caso dos cardinalitos temos que também conhecer algumas características da própria
espécie.
Mas vou citar o meu exemplo para poderem ver
que não há segredo nenhum.
Alimentação:
- Mistura própria para cardinalitos
- Mistura de sementes especiais (Bella da noite,
chia e camelina sativa)
- Papa seca (mais tarde dou a minha receita
num artigo dedicado à criação)
- Grit
- Água fresca todos os dias
- Níger germinado (da criação até ao fim da muda)
Criação:
- Ninho de verga pequeno, próprio para cardinalitos
- Para fazerem o ninho, sisal ou mistura igual à usada
pelos canários
- O ninho colocado na frente da gaiola e sem
nada a tapá-lo, as cardinalitas gostam de estar sempre a ver tudo.
- Trocar os ovos pelos de plástico, para serem
depois colocados todos no mesmo dia.
- Se não se tiver confiança no macho, separá-lo.
Separação:
- Ver artigo exclusivo para esta fase.
Este é o meu método, mas não pensem que é o
único com bons resultados, mas que este resulta, resulta.
Há outras perguntas que me costumam fazer:
- È preciso ter luz artificial?
- È preciso ter aquecedor dentro do canaril?
- È preciso ter amas para os criar?
Ao que eu respondo:
- È, se quisermos dar mais horas de luz do que
a natural, ou se pretendermos alterar o ciclo reprodutivo. (eu uso um relógio que
altera o pôr e o nascer do sol)
- È, se quisermos criar numa altura em que a
temperatura é muito baixa dentro do canaril, mas sobre isto volto a escrever mais
abaixo.
-Não, só se quisermos ter uns cardinalitos mais
débeis, e se pretendermos acabar com o instinto de criar das próximas gerações.
Tenham como máxima o seguinte, amas só da mesma espécie. Nunca comprem cardinalitos
criados pelos canários, tenham como exemplo o que os criadores fizeram com os diamantes
de gold.
Relativamente à temperatura, há muitos mitos,
mas por desconhecimento e por conservadorismo.
No caso dos cardinalitos tem uma particularidade,
algumas fêmeas ainda não a perderam com os anos de cativeiro, que é o facto de os
filhotes quando começam a emplumar, elas deixam de os aquecer durante a noite, porque
na sua terra natal as noites são quentes, e esse aquecimento produziria o desidratar
dos filhos. Por isso muitas vezes morrem filhotes com 5 dias sem o criador saber
a razão. No caso desta espécie o canaril nunca deveria ter menos de 16º graus durante
a noite, isto durante a criação claro está.
Mas isto da temperatura não é problema, os holandeses,
belgas e italianos usam aquecedores nos canaris há muitos anos para criar canários.
Se não quisermos usar aquecedores, esperamos
pelos meses mais quentes e está resolvido este problema. Por isso uns começam só
a criar em fins de Março e outros em Janeiro.
Há uma variável muito importante que me esqueci
de mencionar, a humidade.
Isto sim devemos controlar, nunca deve fugir
muito dos 50% a 60% de humidade.
É tão importante que pode ser a chave do insucesso
muitas das vezes na criação.
A baixa humidade pode provocar a morte prematura
do embrião e endurecer a casca do ovo de maneira ao filhote não a conseguir partir
para sair. Isto foi a causa principal do não nascimento de muitos filhotes em vários
canaris.
A alta humidade provoca a proliferação de fungos
e bactérias que é a razão principal de muitas das mortes dos filhotes até ao 7º
dia de idade.
O controlo da humidade é muito mais importante
do que a temperatura, desde que esta não seja demasiado baixa ou demasiado alta
claro está.
Este texto já vai muito extenso, prometo escrever
mais artigos com temas mais específicos no futuro.
Até ao próximo artigo
Firmino Casais
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